Andei lendo 'As Crônicas de Nárnia' estes tempos e, a cada livro que eu terminava, postava uma análise mais 'teológica' no antigo blog do Will.
Pra não perder o costume, postarei por aqui o que me chamou atenção em um trecho do último que li, 'Príncipe Caspian' (não, não farei nenhuma 'análise teológica' aqui, relaxa).
Rapidamente, um resumo: Nárnia é um mundo fantástico, onde habitam seres mitológicos, animais falantes, ocorrem batalhas épicas entre o bem e o mal, e foi criado por Aslam, um Leão ‘enorme, peludo e luminoso’ através do seu canto. Seus mais importantes Reis e Rainhas foram Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia, filhos e filhas de Adão e Eva - são crianças de nosso mundo.
Em 'Príncipe Caspian', os verdadeiros Narnianos - essas criaturas fantásticas, anões, animais falantes, dríades, gigantes, centauros, faunos, et cetera - são praticamente dizimados e conquistados pelos Telmarinos, e os que sobraram vivos, fugiram para as florestas.
Então, os primeiros Reis e Rainhas de Nárnia são chamados do nosso mundo para o de Nárnia para ajudar os remanescentes a tomarem de volta a terra que é deles por direito.
Em um momento, Susana hesita em acertar uma flechada em um urso que ia atacá-la, por temer ser um urso falante, um autêntico Narniano - e quase é morta por isso. Os animais falantes são muito respeitados e bons.
Trumpkin, o anão vermelho que está com eles, explica: 'Os animais, na sua maioria, ficaram mudos e tornaram-se inimigos. Nunca se sabe de que gênero são; se a gente espera, pode ser tarde demais. Vi bem o focinho dele e ouvi seu rosnado. O que ele queria era uma garotinha para o café da manhã.'
Lúcia, então, comenta:
- Sabe, Su, (...) não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?
- Já temos preocupações que cheguem aqui em Nárnia - disse Susana, sempre muito prática. - Para que inventar ainda outros problemas?
Inventar? É a pura realidade! Quanto mais o tempo passa, mais frios, irracionais e desgraçados nos tornamos. Pessoas boas vão se tornando raridade.
E o pior: usamos máscaras para disfarçar o que somos. Na maioria das vezes, 'é impossível distinguir quem é homem, quem é porco', já dizia George Orwell, no excelente 'A Revolução dos Bichos'. Continue lendo >>

