sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco."


Andei lendo 'As Crônicas de Nárnia' estes tempos e, a cada livro que eu terminava, postava uma análise mais 'teológica' no antigo blog do Will.

Pra não perder o costume, postarei por aqui o que me chamou atenção em um trecho do último que li, 'Príncipe Caspian' (não, não farei nenhuma 'análise teológica' aqui, relaxa).



Rapidamente, um resumo: Nárnia é um mundo fantástico, onde habitam seres mitológicos, animais falantes, ocorrem batalhas épicas entre o bem e o mal, e foi criado por Aslam, um Leão ‘enorme, peludo e luminoso’ através do seu canto. Seus mais importantes Reis e Rainhas foram Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia, filhos e filhas de Adão e Eva - são crianças de nosso mundo.

Em 'Príncipe Caspian', os verdadeiros Narnianos - essas criaturas fantásticas, anões, animais falantes, dríades, gigantes, centauros, faunos, et cetera - são praticamente dizimados e conquistados pelos Telmarinos, e os que sobraram vivos, fugiram para as florestas.

Então, os primeiros Reis e Rainhas de Nárnia são chamados do nosso mundo para o de Nárnia para ajudar os remanescentes a tomarem de volta a terra que é deles por direito.

Em um momento, Susana hesita em acertar uma flechada em um urso que ia atacá-la, por temer ser um urso falante, um autêntico Narniano - e quase é morta por isso. Os animais falantes são muito respeitados e bons.

Trumpkin, o anão vermelho que está com eles, explica: 'Os animais, na sua maioria, ficaram mudos e tornaram-se inimigos. Nunca se sabe de que gênero são; se a gente espera, pode ser tarde demais. Vi bem o focinho dele e ouvi seu rosnado. O que ele queria era uma garotinha para o café da manhã.'

Lúcia, então, comenta:

- Sabe, Su, (...) não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?
- Já temos preocupações que cheguem aqui em Nárnia - disse Susana, sempre muito prática. - Para que inventar ainda outros problemas?


Inventar? É a pura realidade! Quanto mais o tempo passa, mais frios, irracionais e desgraçados nos tornamos. Pessoas boas vão se tornando raridade.
E o pior: usamos máscaras para disfarçar o que somos. Na maioria das vezes, 'é impossível distinguir quem é homem, quem é porco', já dizia George Orwell, no excelente 'A Revolução dos Bichos'.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

[Poesia] E é tudo sobre ela!


Porque sempre há aquela que inspira.
"Escrever.
Apenas escrever.
Usar a poesia
Para desabafar, talvez esquecer,
E começar um novo dia
Aprendendo a viver
Sem você.

Cantar.
Apenas cantar.
E tentar entoar
Mesmo sem sentido
O que agora estou sentindo,
Apenas por não ter
Você.

Já procurei entender,
E hoje quero esquecer,
Esconder
De mim
O que guardo de você.

Mas, foi te escondendo
Que te encontrei
Em mim.
E me escondendo
Que me encontrei
Em ti.

E percebo que
Tudo em meu ser
É sobre você.
Escrevo pra você,
Sobre você;
Canto pra você,
Por você!
Tudo o que penso
O que sou
Ou vou ser
É inspirado em você."


-- Renato Fontes, 17/12/08

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