domingo, 26 de dezembro de 2010

[Poesia] Erros do passado


Porque errar é humano, insistir no erro é burrice... e burrice é algo humano, demasiado humano.

'Por mais que eu soubesse
do fim desde o começo;
por mais que eu acreditasse
na impossibilidade do sucesso;
Por mais que eu visse o curso
dos acontecimentos refletindo
os mesmos erros do passado,
eu acabei cedendo, insistindo,
me enganando e sendo enganado,
pensando que desta vez,
nada daria errado.
Inevitavelmente,
tudo deu errado.
E, por mais que eu estivesse,
de alguma maneira, já preparado...
não significa que desta vez
também não tenha saído machucado.'

--Renato Fontes, 26 de Dezembro de 2010

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sabe o Mario?



Oh, mario, if only I could control everyone the way I control you...

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Enleio

'Que é que vou dizer a você?
Não estudei ainda o código de
amor.

Inventar, não posso.
Falar, não sei.
Balbuciar, não ouso.

Fico de olhos baixos
espiando, no chão, a formiga.

Você sentada na cadeira de palhinha.
Se ao menos você ficasse aí nessa posição
perfeitamente imóvel, como está,
uns quinze anos (só isso)
então eu diria:
Eu te amo.

Por enquanto sou apenas o menino
diante da mulher que não percebe nada.

Será que você não entende, será que você é burra?'

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

De todas as pessoas que já conheci...



...você, com certeza, é uma delas.

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sábado, 20 de novembro de 2010

'Vivemos no melhor dos mundos possíveis',

disse Leibniz.


E temo que seja verdade...

(Quem teme é o Igòór, na verdade =p )

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mother, should I build the wall?



"The roamers didn't go away because you can't see them."
(Carl, The Walking Dead, ed 72)


Os problemas não irão embora se você apenas fechar os olhos e fingir que não existem. Eles continuarão lá. Apenas fora de visão.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

[Poesia] Sobre o tempo


Porque às vezes ele corre, às vezes quase para... mas nunca volta.

'Passe, tempo,
que não me aguento,
não posso mais esperar.

Passe, faça os dias serem menores,
traga dias melhores,
não me faça implorar.

Sei que há beleza em ver
a cada dia o Sol nascer,
ao meio-dia brilhar, e depois se esconder...
Mas tenho certeza, há mais beleza
no que está por vir.

Então passe, passe correndo, tempo.
Voe como o vento,
e me leve contigo,
para o exato instante
em que a vou encontrar.

E quando finalmente chegar,
paciência.
Deixe o lento predominar,
deixe tudo mais devagar.
Pois é no lento que acontece o momento.
Agora, cada segundo deve ser eterno,
e cada abraço durar mil invernos.

Tempo... agora é a hora de parar.
Não quero que tome o lugar
de toda esta ansiedade
uma profunda, imensa e inevitável saudade.'
Renato Fontes - 11/11/2010

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domingo, 31 de outubro de 2010

Sobre a falta de opções

"Sabe, o melhor verso de poesia já proferido em toda a história deste pais maldito foi dito por Canada Bill Jones em 1853, em Baton Rouge, enquanto ele estava sendo enganado e roubado em um jogo de faraó com cartas marcadas. George Devol, que não era, assim como Canada Bill, um homem avesso à idéia de depenar o babaca da vez, chamou Bill para o lado e perguntou se ele não estava vendo que havia trapaça no jogo. E o Canada Bill suspirou, deu de ombros e disse: "Eu sei. Mas é o único jogo que tem nesta cidade". E voltou ao jogo."

Trecho de "Deuses Americanos", de Neil Gaiman

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

[Poesia] The sun and the rain


 Porque pode chover vários dias, mas não vai chover para sempre.

"When the sun began to shine again,
and took the place of the rain,
I tought I was fine
and in my mind,
things would be better.

I'm lying on the ground
and now
the radio plays our song.
Words come to my memory...
All those empty words
and broken promisses,
and I hear a voice,
your voice here,
screaming like a thunder.

A thunder
announcing the upcoming rain
that, I know, will last a night,
but just a night.
'Cause tomorow
the sun will shine again
and will take the place
of this rain too."
-- Renato fontes, 30/09/2010

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

[Poesia] Choices

'Tem momentos que, não importa
qual foi a decisão tomada,
o melhor caminho parece ser, justamente,
aquele da outra estrada.
E isso é direto... se escolho 'esquerda', depois penso que a 'direita' seria melhor.
Mas imagino que, na mesma situação, se eu tivesse escolhido 'direita', teria a sensação de que a 'esquerda' seria melhor. Confuso?

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dialética

'É claro que a vida é boa,
E a alegria, a única indizível emoção.
É claro que te acho linda,
Em ti bendigo o amor das coisas simples.
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz.

Mas acontece que eu sou triste...'
Do mestre, e uma das minhas maiores inspirações, Vincius de Moraes.

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lúcifer Costas Largas

Ou 'sobre como é mais fácil culpar algúem por seus atos do que assumir os próprios erros.'

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

'Perdemos tanto com medo de sorrir.'



Ou 'A arte de evitar pessoas'.



Uma das coisas que me salvam no percurso diário de casa / trabalho / faculdade é o MP3, ou algo similar.
Não consigo ir pra lugar algum sem pegar os fones pra ir ouvindo música ou algum podcast no caminho.
Até quando vou lendo alguma coisa, também vou ouvindo algo; ou ao menos deixo os fones nos ouvidos, para inibir qualquer pessoa que tente atrapalhar minha leitura.

E foi isso que acabou se tornando: um 'inibidor de pessoas', um tipo de repelente. Ninguém fala comigo, eu não falo com ninguém. Pronto.
Posso ir dormindo sossegado, ou viajando na música, tocando air guitar, air bass, air drumms, air pandeiro, air uarévaa... que ninguém me incomoda.

E esta é a cena que vejo todo dia: pessoas indo e vindo, se encontrando e reencontrando no decorrer dos dias nos mesmos lugares, pegando o mesmo ônibus, no mesmo ponto, a mesma rotina.
Entra. Senta. Levanta. Sai. Sem falar com ninguém.
Nem um bom dia, nada. Apenas curtindo um sonzinho, sozinho. Um 'coletivo de sozinhos'.

Porque é difícil olhar para o lado e cumprimentar aquela pessoa que você vê todo dia, e que pega o mesmo ônibus que você.
Não, não estou sendo irônico, eu acho difícil mesmo. Odeio conversar no ônibus, evito e corto qualquer tipo de conversa, automaticamente. Evito pessoas, sou chato.

Um dia, ao retornar de um lugar que eu estava trabalhando, indo para o ponto de ônibus, uma véia mulher veio em minha direção.
Eu, com meu fone de ouvido novo e potentepacacete, estava fechado em meu mundinho, e demorei pra perceber.
Ela me cutuca e pergunta algo. 'Como chego na Avenida X?'.
Era meu segundo dia naquela região e, se eu já sou perdido no meu próprio bairro, imagina do outro lado da cidade? Só o Google Maps pra me ajudar.
Mas a Avenida era próxima, 'só seguir em frente', eu disse. Ela agradeceu, e eu acelerei o passo, quase voltando a me fechar em meu mundo.

Até que pensei... eu iria para a mesma Avenida, provavelmente para o mesmo ponto de ônibus. Que mal faria se eu caminhasse ao lado dela, e comentasse algo?
Lembrei de um trecho de uma música que diz 'perdemos tanto com medo de sorrir' e, antes que eu me desse conta, estava conversando com ela.
No meio do papo ela acabou me ensinando um caminho muito mais fácil para eu chegar no trabalho em menos tempo.
Fiz o teste no dia seguinte e, se antes eu demorava 1h40 pra chegar, agora eu demorava pouco mais de 1h (sim, ela me deu informações melhores que as do Google huauha).

Uma conversa simples, mas que acabou me ajudando (agora eu poderia dormir quase 30 minutos a mais de manhã, bem melhor que 'só mais 5 minutos, mãe!').
Isso me fez pensar no quanto eu e outros muitos estamos perdendo... 'com medo de sorrir'.

Sim, eu continuo odiando e evitando conversas, me fechando em meu fone.

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sábado, 7 de agosto de 2010

[Poesia] I'm Desire


"Seres humanos são criaturas de Desejo. Eles se torcem e dobram como eu exijo."

-Desejo, de Sandman.


'Em teu momento de temor e pesar,
chega oferecendo amor e bem-estar.
Com um olhar, cheio de cinismo e imponência,
ganha tua confiança, aproveita-se de tua deficiência.

Envolve-o gradativa e confortavelmente,
de maneira que não percebes que tens
teu ser, teu corpo, tua mente
entregues assim, como reféns.

Tua vida já não é mais tua,
escolhas já não mais são sensatas.
Pensas ser livre para tocar a lua,
mas estás de mãos atadas.

O bem confunde-se com o mal,
O supérfluo torna-se essencial.
Quando percebes, é tarde, agora és um brinquedo
do cruel, sádico e irresistível Desejo.'
-- Renato Fontes, 07 de Agosto de 2010.


'Eu sou Desejo, não sou? É o que eu sou. É o que eu faço. Eu faço coisas quererem coisas.'

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Caminhos

 

“Gatinho de Cheshire... O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”
“Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.
“Não me importo muito para onde...”, retrucou Alice.
“Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.
“...contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.
“Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”

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sábado, 10 de julho de 2010

[Poesia] O enganador

 

'My heart is a fucking liar.
Keeps telling me that you are
the only one who can make me feel glad;
even when you're the reason I'm sad...'

-- Renato Fontes, 10 de Julho de 2010.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

[Poesia] Em sua totalidade


'Quero você inteira, por completo.
Não apenas em porções homeopáticas,
diluídas em palavras doces e simpáticas.
Quero te ver e te sentir de perto,
em atos, formas e gestos sinceros.
Com sorrisos que me façam sorrir,
abraços que me façam sufocar...
E beijos que me façam querer
mais e mais de você e desta dose plena
que só você pode me dar.'


-- Renato Fontes, 27 de Junho de 2010.

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domingo, 20 de junho de 2010

Com a palavra, Odin.


Porque os antigos deuses, a cada dia, perdem suas forças; e as preces e oferendas, antes direcionadas a eles, hoje são para os novos deuses, que estão cada vez mais presentes e atuantes em nossas vidas.



'Vocês me conhecem. Todos me conhecem. Alguns não têm motivo pra gostar de mim, mas, gostem ou não, vocês me conhecem. Eu estou aqui há mais tempo do que a maior parte de vocês, e também achei que a gente poderia se virar com o que tem. Não é o bastante para ficarmos contentes, mas é suficiente pra ir em frente. Mas pode não ser mais o caso.

Há uma tempestade a caminho, e não é uma tempestade do nosso tipo. Quando as pessoas vieram pros Estados Unidos, elas nos trouxeram junto. Trouxeram eu, Loki e Thor, Anansi e o Deus-Leão, Leprechauns e Kobolds e Banshees, Kubera e Frau Holie e Ashtaroth, e trouxeram vocês. Viemos até aqui na cabeça dessa gente e criamos raízes. Viajamos com os colonizadores pro Novo Continente do outro lado do oceano. A terra é vasta. Mas o tempo passou e nosso povo nos abandonou, lembrando de nós apenas como criaturas do Velho Continente, como coisas que não tinham vindo com elas pro Novo.

Quem acreditava verdadeiramente em nós morreu, ou parou de acreditar, e fomos abandonados, ficamos perdidos, assustados e sem posses, vivendo de migalhas de adoração e de crença que podíamos encontrar.

E fomos sobrevivendo da melhor maneira possível. Então foi isso que fizemos, sobrevivemos à margem das coisas, onde ninguém prestava muita atenção em nós.
Hoje temos, vamos admitir, pouca influência. Fazemos das pessoas nossas presas, tiramos delas e sobrevivemos; nós nos despimos e nos prostituímos e bebemos demais. Pegamos gasolina, roubamos, trapaceamos e existimos nas fendas das margens da sociedade. Somos deuses antigos, aqui neste Novo Continente sem deuses.

Assim, como todos vocês tiveram oportunidade de descobrir sozinhos, existem novos deuses crescendo nos Estados Unidos, apoiando-se em laços cada vez maiores de crenças: deuses de cartão de crédito e de auto-estrada, de internet e de telefone, de rádio, de hospital e de televisão, deuses de plástico, de bipe e de néon.

Deuses orgulhosos, gordos e tolos, inchados por sua própria novidade e por sua própria importância. Eles sabem da nossa existência e tem medo de nós, e nos odeiam. Vocês estão se enganando se acreditam que não. Eles vão nos destruir, se puderem. É hora de a gente se agrupar. É hora de agir.'

-- Odin, em "Deuses Americanos", de Neil Gaiman

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Um cantinho, um violão...

 No nosso país, é meio que comum ouvir gente reclamando de tudo, inclusive da nossa cultura, nossa arte, nossa música (mas claro, não fazendo nada pra ajudar a melhorar).

Muitos 'pagam pau', veneram e idolatram o que vem de fora, e esquecem de olhar (ou ouvir) o que temos de bom aqui.

Sempre o daqui é pior que o de lá. Por quê? Porque é nacional. Que pensamento estúpido!

Aliás, qualquer pensamento de 'porque é nacional é bom' ou 'porque é nacional é ruim' é estúpido. Chego a ver comentários idiotas do tipo 'nossa, esse cara faz um ótimo som... nem parece brasileiro', ou ainda 'apesar de ser do Brasil, é bom'.

Mas estes esquecem de uma pequena coisa coisa chamada 'Bossa Nova'. Esse estilo doido, cheio de acordes com tensões, cheio de modulações, tons estranhos que beiram o 'desafinado' (heh), com uma riqueza melódica, harmônica e claro, com letras belíssimas, sempre.

Esse estilo que influenciou e teve músicas interpretadas por grandes nomes do Jazz. Bão, esse mimimi todo é só pra falar de alguém que eu tive a oportunidade de ver - e de grátis - no centro de São Paulo neste final de semana.
Eu, desde que conheci a Bossa Nova, no final do ensino médio, sonho em ver uma apresentação de algum grande nome da Bossa ao vivo. E no último dia 16, em um dos eventos da Virada Cultural, de SP, vi um dos melhores violonistas em atividade no mundo: Toquinho.




Sim! O mesmo que andou em meio aos deuses Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Paulinho Nogueira, dentre tantos outros...
Este mesmo, autor / co-autor de músicas que estão cravadas em nossas mentes e (momento piegas ON) em nossos corações infantis, como 'Aquarela', 'A Casa', 'O Pato'... Um grande mestre do violão, instrumentista versátil e inspirado, grande nome da música mundial (sim, reconhecido merecidamente em todo o globo).
Hoje, mesmo com mais de 60 anos nas costas (e na barriguinha sécsi auheuhea), mais de 40 de carreira, ele está aí. Inteiro, fazendo boa música, interpretando clássicos, criando novos.

Enquanto muitos se matam pra ver outros velhinhos, dinossauros do rock - que também fizeram história, aliás - pagando absurdos 300 mangos (sim, eu fiz isso), nós temos a oportunidade de ver verdadeiros gênios musicais aqui pertinho. De graça!

Claro, do mesmo modo que tem muitos que não sabem o que estão perdendo, e que ainda têm um preconceito com o material brazuca... também tem aqueles que são sábios e, independente de estilo, idade, classe social, opção sexual (ou sei lá, qualquer coisa huauha) sabem apreciar boa música.
Foi lindo de ver, por exemplo, uma senhora à minha frente, com duas meninas de no máximo 15 anos (possivelmente as netas) curtindo a apresentação; muitos jovens da minha idade também, tinha 2 mendigos perto de mim dançando e cantando (!), crianças, uma galera do roquenrol, enfim...

É uma pena que MUITA gente busque primeiro lá fora. É uma pena que muitos se fecham em apenas um estilo. Sem saber que seus ídolos se espelham justamente nesses grandes mestres do passado:



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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Amor acaba?

'Amor, então,também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei é que se transforma numa matéria-prima
que a vida se encarrega de transformar em raiva.
Ou em rima.'
--Paulo Leminski--

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sábado, 10 de abril de 2010

[Poesia] O adeus

 Porque 'a ausência dela te atingirá como um soco no peito, e você irá chorar; mas isto acontecerá cada vez menos com o passar do tempo.'

‘Como fico eu agora?’, penso naquela hora.
Sinto teu corpo junto ao meu,
naquele abraço, e ouço tua última palavra,
antes de você ir embora...

É difícil ver você ir, e no momento,
claro, simplesmente não entendo.
A dor me atinge, por imaginar
que alguém como você não ia mais encontrar.

Com o tempo, a saudade
invade e bate forte, é fato.
Mas quanto mais tempo, menos forte,
menos saudade, menos você.

Hoje entendo que não foi por ti
Que me apaixonei realmente.
Interessei-me tão somente
Pela imagem que criei de ti.
--Renato Fontes, 09 de Abril de 2010

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segunda-feira, 29 de março de 2010

|Outro Lunático| - Águas Correntes

Uma vez li um livro muito bom. Uma parte dele falava sobre as águas, sobre a liberdade delas...

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quinta-feira, 25 de março de 2010

'The fuckest band in the world... The Fuckers!'


Conheça a melhor banda de todos os tempos da minha classe no Ensino Médio!



Se é importante tornar o local de trabalho um lugar divertido, fazer isso na escola é regra.

Estudar? Só de última hora, na última recuperação do último bimestre, pra tirar o mínimo pra passar de ano.
O resto do tempo era falar bobeira, ler gibi, dormir...

'Nossa, mas como conseguia tirar nota pra passar de ano?'. Além da óbvia cola, apelando pras apresentações geniais de trabalho.

Quando tinhamos apresentação para fazer, principalmente de história, inglês e literatura, nosso grupo, composto basicamente pelo Will, Rael e eu - e mais tarde com o Daniel, e mais tarde ainda (auhea) o Conrado - , apelava para o que sabíamos fazer de melhor: falar besteira!

Até o Gene Simmons quis assistir a aula do Zucco


Naquela época, toda apresentação seguia quase que um padrão.
Introdução engraçadinha, alguma piada sobre a matéria (pra demonstrar que a gente manjava tanto, que até fazia humor a respeito, mas na verdade não sabíamos NADA) e música!
Sim, música!

Foi daí que formamos a banda mais supimpa do mundo. The Fuckers!
Na verdade, éramos dois que tocávamos violão, e um baterista, que tocava um pandeiro ou uma caixa.

Rael e eu, quebrando guitarras após show.


Começamos com covers na aula de história, e partimos para versões engraçadinhas que, de tanto que adaptávamos as músicas para ficarem mais fáceis pra tocar e cantar, pareciam músicas novas e originais!

Em literatura, colocamos a "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias na melodia de "Knockin' on Heaven's Door", de Bob Dylan, e ficou perfeita, não precisamos alterar nada!

Depois, fizemos duas letras.
Uma, pra apresentação de inglês, que tinha como tema as estações do ano.
Fizemos a letra mostrando de forma engraçadinha as merdas que o aquecimento global traz, em cima da melodia de "2,000 Man", dos Rolling Stones:

2,000 World

Well, my city is so crazy, the forecast don't work in it
When you think that will be hot, in the afternoon is hot

(refrão)
Don't you know, will be hot tomorow
'cause the global warming is fucking the weather of the world

In the winter is so hot, and in the summer is so cold
Better take care of your ass, or it can get freezing.

I am not felling my toes, that's because of the cold
but wait a minute my buddy, we are in the summer season

Hey man, stop to be stupid
Move your ass and recycle your trash


A outra, foi pra aula de português, em cima da melodia de "Rockin' in the Free World":

Quero o Brasil um país melhor

Eles se mostram como amigos
Ganham nossa confiança
Nos prometem mais abrigo
E escola pra criança

Fazem tudo por um voto, eles querem ter poder
Pra ganhar dinheiro fácil, mesmo sem merecer
Só exploram os coitados e enganam o povo
E na hora de cumprir não dão nem pão com ovo

refrão)
Quero o Brasil um país melhor 4x

Só futebol não adianta
Mas o povo é muito anta
Se ilude com besteira
Até agüenta o Parreira

Não adianta só xingar e falar mal do governo
Somos nós que os escolhemos pra 4 anos inteiros
Vamos ter consciência pois nós temos a culpa
Ao colocar no poder esse filhos da pátria.


Sim, a gente ganhava nota boa com isso.

Depois de muito fazer barulho em sala de aula, fomos chamados pra tocar na capela do colégio (era um colégio cristão), no Encontro de Corais (onde VÁRIOS corais de vários colégios se reuniam pra uma noite de música), nestes casos com ajuda da Jade, da Ju, do Will...



Daí, foi um pulo pra tocarmos na nossa formatura:

Eu, Rael e o Conrado assustado


Bom, este foi um post bem nostálgico pra mim, relembrei os tempos mais legais e divertidos da minha vida.
Pra não ficar só no falatório, veja The Fuckers tocando High Way to Hell:



Porque o importante é tornar tudo mais divertido, seja fazendo lição, no trabalho, em casa, onde for ;)

P.S.: Ainda falo sobre o 'Pobrebol' por aqui \o/

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segunda-feira, 15 de março de 2010

[Poesia] Fachada

 Porque, "às vezes, eu tenho que parecer normal e, então, crio rostos."
- Rainie, em 'Sandman' (Neil Gaiman)

"Mais um dia que chega ao fim.
Na rua, os que olhavam para mim,
diziam "aí vai uma pessoa certa e decidida,
alguém sempre de bem com a vida!"
.

No meu rosto há um sorriso estampado,
pareço nunca estar mal-humorado.
Mas finjo ser quem na verdade não sou...
Afinal, que é o poeta, senão um grande fingidor?

Rio então, mas por dentro o pranto me consome.
Com a noite divido o mais profundo segredo, enquanto a cidade dorme.
Sorrio para (me) enganar, e a solidão é mascarada;
mas sou rio, sem água, sem vida, sem nada..."

-- Renato Fontes, 14 de Março de 2010. 

 

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sexta-feira, 12 de março de 2010

[Poesia] O homem no banco da praça


Porque olhar e cruzar os braços de nada adianta.

"O homem sentado - ou deitado -
observa a multidão que passa.
Sonha, sonha... sonha acordado;
Mas o sonho, como a multidão, logo passa.

Torna-se distante, intangível,
inalcançável, impossível.
'Pra que tentar, se não vou conseguir?
Por que subir, se, de certo, vou cair?'

Aprendeu que não tem voz, não tem vez;
ou que multidão não tem ouvidos, talvez.
Por isso, hoje em dia nem tenta,
nem busca. Apenas para, e senta.

E assim, este homem sozinho, largado,
é na verdade mais um dentre milhões,
que, da vida, não tira lições.
E, desencorajado, continua... apenas sentado.

-- Renato Fontes, 12/03/2010

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco."


Andei lendo 'As Crônicas de Nárnia' estes tempos e, a cada livro que eu terminava, postava uma análise mais 'teológica' no antigo blog do Will.

Pra não perder o costume, postarei por aqui o que me chamou atenção em um trecho do último que li, 'Príncipe Caspian' (não, não farei nenhuma 'análise teológica' aqui, relaxa).



Rapidamente, um resumo: Nárnia é um mundo fantástico, onde habitam seres mitológicos, animais falantes, ocorrem batalhas épicas entre o bem e o mal, e foi criado por Aslam, um Leão ‘enorme, peludo e luminoso’ através do seu canto. Seus mais importantes Reis e Rainhas foram Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia, filhos e filhas de Adão e Eva - são crianças de nosso mundo.

Em 'Príncipe Caspian', os verdadeiros Narnianos - essas criaturas fantásticas, anões, animais falantes, dríades, gigantes, centauros, faunos, et cetera - são praticamente dizimados e conquistados pelos Telmarinos, e os que sobraram vivos, fugiram para as florestas.

Então, os primeiros Reis e Rainhas de Nárnia são chamados do nosso mundo para o de Nárnia para ajudar os remanescentes a tomarem de volta a terra que é deles por direito.

Em um momento, Susana hesita em acertar uma flechada em um urso que ia atacá-la, por temer ser um urso falante, um autêntico Narniano - e quase é morta por isso. Os animais falantes são muito respeitados e bons.

Trumpkin, o anão vermelho que está com eles, explica: 'Os animais, na sua maioria, ficaram mudos e tornaram-se inimigos. Nunca se sabe de que gênero são; se a gente espera, pode ser tarde demais. Vi bem o focinho dele e ouvi seu rosnado. O que ele queria era uma garotinha para o café da manhã.'

Lúcia, então, comenta:

- Sabe, Su, (...) não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?
- Já temos preocupações que cheguem aqui em Nárnia - disse Susana, sempre muito prática. - Para que inventar ainda outros problemas?


Inventar? É a pura realidade! Quanto mais o tempo passa, mais frios, irracionais e desgraçados nos tornamos. Pessoas boas vão se tornando raridade.
E o pior: usamos máscaras para disfarçar o que somos. Na maioria das vezes, 'é impossível distinguir quem é homem, quem é porco', já dizia George Orwell, no excelente 'A Revolução dos Bichos'.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

[Poesia] E é tudo sobre ela!


Porque sempre há aquela que inspira.
"Escrever.
Apenas escrever.
Usar a poesia
Para desabafar, talvez esquecer,
E começar um novo dia
Aprendendo a viver
Sem você.

Cantar.
Apenas cantar.
E tentar entoar
Mesmo sem sentido
O que agora estou sentindo,
Apenas por não ter
Você.

Já procurei entender,
E hoje quero esquecer,
Esconder
De mim
O que guardo de você.

Mas, foi te escondendo
Que te encontrei
Em mim.
E me escondendo
Que me encontrei
Em ti.

E percebo que
Tudo em meu ser
É sobre você.
Escrevo pra você,
Sobre você;
Canto pra você,
Por você!
Tudo o que penso
O que sou
Ou vou ser
É inspirado em você."


-- Renato Fontes, 17/12/08

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domingo, 24 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

[Poesia] Poesia simples a um grande amigo


Ao grande amigo Nilo - este sim, um poeta.

"Amigo sincero, poeta, guitarrista
Tem a sina de todo grande artista
Que sofre de amor, e o transforma em poesia;
E que, por sua vez, também nos passa alegria.


Atleta, gamer, fera do interior.
Bate no peito deste goleiro
o que não compra nenhum dinheiro:
um coração tricolor, de verdadeiro vencedor.


Que aprende e ensina a arte
de viver, correr, cair, levantar,
chorar, sorrir, levantar a cabeça e gritar


Que vive para vencer, sem temer a sorte,
Tanto em campo quanto na vida,
Para que nenhuma batalha seja realmente perdida."
-- Renato Fontes, 27/10/09

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ah, o amor...


"O amor não pertence ao mundo dos sonhos; amor pertence a Desejo, e Desejo é sempre cruel."

Neil Gaiman é meu escritor de hqs favorito. E Sandman é sua obra máxima - e minha preferida também.

Nela, dentre outras coisas, ele consegue falar sobre sentimentos de uma maneira fenomenal, e que me faz pensar 'esse desgraçado me conhece!'.
Como no texto que segue:

Você já esteve apaixonado? Horrivel não é? Te deixa vulnerável. Te abre o peito e te abre o coração, e quer dizer que alguém pode entrar em você e te detonar por dentro. Você constrói todas essas defesas. Constrói uma armadura completa, e por anos nada pode te machucar, aí­ uma pessoa idiota, nada diferente de qualquer outra pessoa idiota caminha para dentro da sua vida idiota… Você dá a essa pessoa um pedaço de você. Essa pessoa não pediu por isso. Essa pessoa fez algo besta um dia, como te beijar ou sorrir para você, e aí a sua vida não é mais sua. O amor toma reféns. O amor entra em você. Te come por dentro e te deixa chorando na escuridão, e frases simples como “talvez devêssemos ser apenas amigos” ou “nossa, que perspicaz” se transformam em farpas de vidro movendo-se para dentro do seu coração. Dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma dor-que-entra-em-você-e-te-arrebenta. Nada deveria ser capaz de fazer isso. Especialmente o amor. Eu odeio o amor

- Rose Walker em Sandman #65 , de Neil Gaiman
Quem nunca se sentiu assim?

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Back to "The Office"

Ou "como tornar o trabalho menos odioso".

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domingo, 3 de janeiro de 2010

[Poesia] A Garota do Sonho

Primeira poesia, inspirada em um sonho.

A garota do sonho

Estávamos juntos no sonho, a caminhar.
A estrela nos iluminava e protegia
de um inevitável despertar:
O despertar para um novo dia.


Um dia que, de novo, não tem nada.
Sem você, os dias são todos iguais!

As tardes são vazias;
mas as madrugadas... Ah, madrugada!
É onde te encontro em sonho, não quero voltar mais!


Então durmo, e sonho.
Posso te ver, tocar, beijar!
Não quero acordar.
Apenas recordar
tempos não vividos,
passados alternativos,
futuro esquecido.
Coisas que só aconteceram em minha mente...


Mas acordo.
O real mente.
A razão quer apagar da memória
esta história
achando ser o melhor.
Mas como se basear na tal razão
Para julgar um coração?


A mente fica confusa
E esconde esse amor;
Hoje, um breve lampejo
um momentâneo desejo
resulta sempre em dor...


- Renato Fontes, Dez/08

Ler muito Sandman, Vinícius, ter uma ou outra decepção, e uma madrugada acordado dá nisso.

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sábado, 2 de janeiro de 2010

Level UP!


As lições que os games - e até a escola! - podem nos ensinar. 

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Início da jornada

 


"Visite qualquer um que você queira, os dois são malucos."
"Mas eu não quero ficar entre gente maluca", Alice retrucou.
"Oh, você não tem saída", disse o Gato, "nós somos todos malucos aqui. Eu sou louco. Você é louca."
"Como você sabe que eu sou louca?", perguntou Alice.
"Você deve ser", afirmou o Gato, "ou então não teria vindo para cá."

- Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll

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