quinta-feira, 26 de agosto de 2010

'Perdemos tanto com medo de sorrir.'



Ou 'A arte de evitar pessoas'.



Uma das coisas que me salvam no percurso diário de casa / trabalho / faculdade é o MP3, ou algo similar.
Não consigo ir pra lugar algum sem pegar os fones pra ir ouvindo música ou algum podcast no caminho.
Até quando vou lendo alguma coisa, também vou ouvindo algo; ou ao menos deixo os fones nos ouvidos, para inibir qualquer pessoa que tente atrapalhar minha leitura.

E foi isso que acabou se tornando: um 'inibidor de pessoas', um tipo de repelente. Ninguém fala comigo, eu não falo com ninguém. Pronto.
Posso ir dormindo sossegado, ou viajando na música, tocando air guitar, air bass, air drumms, air pandeiro, air uarévaa... que ninguém me incomoda.

E esta é a cena que vejo todo dia: pessoas indo e vindo, se encontrando e reencontrando no decorrer dos dias nos mesmos lugares, pegando o mesmo ônibus, no mesmo ponto, a mesma rotina.
Entra. Senta. Levanta. Sai. Sem falar com ninguém.
Nem um bom dia, nada. Apenas curtindo um sonzinho, sozinho. Um 'coletivo de sozinhos'.

Porque é difícil olhar para o lado e cumprimentar aquela pessoa que você vê todo dia, e que pega o mesmo ônibus que você.
Não, não estou sendo irônico, eu acho difícil mesmo. Odeio conversar no ônibus, evito e corto qualquer tipo de conversa, automaticamente. Evito pessoas, sou chato.

Um dia, ao retornar de um lugar que eu estava trabalhando, indo para o ponto de ônibus, uma véia mulher veio em minha direção.
Eu, com meu fone de ouvido novo e potentepacacete, estava fechado em meu mundinho, e demorei pra perceber.
Ela me cutuca e pergunta algo. 'Como chego na Avenida X?'.
Era meu segundo dia naquela região e, se eu já sou perdido no meu próprio bairro, imagina do outro lado da cidade? Só o Google Maps pra me ajudar.
Mas a Avenida era próxima, 'só seguir em frente', eu disse. Ela agradeceu, e eu acelerei o passo, quase voltando a me fechar em meu mundo.

Até que pensei... eu iria para a mesma Avenida, provavelmente para o mesmo ponto de ônibus. Que mal faria se eu caminhasse ao lado dela, e comentasse algo?
Lembrei de um trecho de uma música que diz 'perdemos tanto com medo de sorrir' e, antes que eu me desse conta, estava conversando com ela.
No meio do papo ela acabou me ensinando um caminho muito mais fácil para eu chegar no trabalho em menos tempo.
Fiz o teste no dia seguinte e, se antes eu demorava 1h40 pra chegar, agora eu demorava pouco mais de 1h (sim, ela me deu informações melhores que as do Google huauha).

Uma conversa simples, mas que acabou me ajudando (agora eu poderia dormir quase 30 minutos a mais de manhã, bem melhor que 'só mais 5 minutos, mãe!').
Isso me fez pensar no quanto eu e outros muitos estamos perdendo... 'com medo de sorrir'.

Sim, eu continuo odiando e evitando conversas, me fechando em meu fone.

3 comentários:

  1. Não se feche em seus fones Macaíba!!!
    que isso menino ó.ó

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  2. Uia, Paola! aheuaehuahuea
    Pode deixar que com personagens principais de novela mexicana eu falo :D

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  3. hahauaaaua
    isso eu sei :P

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