No nosso país, é meio que comum ouvir gente reclamando de tudo, inclusive da nossa cultura, nossa arte, nossa música (mas claro, não fazendo nada pra ajudar a melhorar).
Muitos 'pagam pau', veneram e idolatram o que vem de fora, e esquecem de olhar (ou ouvir) o que temos de bom aqui.
Sempre o daqui é pior que o de lá. Por quê? Porque é nacional.
Que pensamento estúpido!
Mas estes esquecem de uma pequena coisa coisa chamada 'Bossa Nova'. Esse estilo doido, cheio de acordes com tensões, cheio de modulações, tons estranhos que beiram o 'desafinado' (heh), com uma riqueza melódica, harmônica e claro, com letras belíssimas, sempre.
Esse estilo que influenciou e teve músicas interpretadas por grandes nomes do Jazz. Bão, esse mimimi todo é só pra falar de alguém que eu tive a oportunidade de ver - e de grátis - no centro de São Paulo neste final de semana.
Eu, desde que conheci a Bossa Nova, no final do ensino médio, sonho em ver uma apresentação de algum grande nome da Bossa ao vivo. E no último dia 16, em um dos eventos da Virada Cultural, de SP, vi um dos melhores violonistas em atividade no mundo: Toquinho.
Sim! O mesmo que andou em meio aos deuses Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Paulinho Nogueira, dentre tantos outros...
Este mesmo, autor / co-autor de músicas que estão cravadas em nossas mentes e (momento piegas ON) em nossos corações infantis, como 'Aquarela', 'A Casa', 'O Pato'... Um grande mestre do violão, instrumentista versátil e inspirado, grande nome da música mundial (sim, reconhecido merecidamente em todo o globo).
Hoje, mesmo com mais de 60 anos nas costas (e na barriguinha sécsi auheuhea), mais de 40 de carreira, ele está aí. Inteiro, fazendo boa música, interpretando clássicos, criando novos.
Enquanto muitos se matam pra ver outros velhinhos, dinossauros do rock - que também fizeram história, aliás - pagando absurdos 300 mangos (sim, eu fiz isso), nós temos a oportunidade de ver verdadeiros gênios musicais aqui pertinho. De graça!
Claro, do mesmo modo que tem muitos que não sabem o que estão perdendo, e que ainda têm um preconceito com o material brazuca... também tem aqueles que são sábios e, independente de estilo, idade, classe social, opção sexual (ou sei lá, qualquer coisa huauha) sabem apreciar boa música.
Foi lindo de ver, por exemplo, uma senhora à minha frente, com duas meninas de no máximo 15 anos (possivelmente as netas) curtindo a apresentação; muitos jovens da minha idade também, tinha 2 mendigos perto de mim dançando e cantando (!), crianças, uma galera do roquenrol, enfim...
É uma pena que MUITA gente busque primeiro lá fora. É uma pena que muitos se fecham em apenas um estilo. Sem saber que seus ídolos se espelham justamente nesses grandes mestres do passado:
Nenhum comentário:
Postar um comentário