sexta-feira, 12 de março de 2010

[Poesia] O homem no banco da praça


Porque olhar e cruzar os braços de nada adianta.

"O homem sentado - ou deitado -
observa a multidão que passa.
Sonha, sonha... sonha acordado;
Mas o sonho, como a multidão, logo passa.

Torna-se distante, intangível,
inalcançável, impossível.
'Pra que tentar, se não vou conseguir?
Por que subir, se, de certo, vou cair?'

Aprendeu que não tem voz, não tem vez;
ou que multidão não tem ouvidos, talvez.
Por isso, hoje em dia nem tenta,
nem busca. Apenas para, e senta.

E assim, este homem sozinho, largado,
é na verdade mais um dentre milhões,
que, da vida, não tira lições.
E, desencorajado, continua... apenas sentado.

-- Renato Fontes, 12/03/2010

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